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Os impactos negativos das queimadas

Os impactos negativos das queimadas

Queimadas
As queimadas têm vários impactos negativos tanto para o produtor quanto para quem vive próximo das áreas onde elas ocorrem.

O agricultor que opta pela queimada para sua plantação acaba tendo um benefício imediato, mas com um conseqüente prejuízo a médio e longo prazo. Após a queimada, o produtor tem um ano ou dois anos de boa produtividade, já que o processo acaba concentrando alguns nutrientes importantes para a plantação como o fósforo. Mas nos anos seguintes fica constatada uma perda excessiva dos nutrientes. Uma pesquisa da Embrapa Amazônia Oriental mostra que, em sete anos, são perdidos 96% de nitrogênio, 76% de enxofre, 47% de fósforo, 48% de potássio, 35% de cálcio, e 40% de magnésio em uma capoeira. Para tentar recuperar essas perdas, o agricultor deve deixar a área que foi plantada descansando, o chamado período do pousio. Com esse repouso, surge uma nova vegetação que trará uma certa reposição dos nutrientes perdidos. No caso da Amazônia, esse período pode ser de 3 a 7 anos. Para quem é pequeno agricultor, isso pode significar uma eternidade.

Outro problema das queimadas é que elas são uma porta aberta para a propagação de incêndios. Para evita-los, é necessário fazer uma queimada controlada, incentivada pelo governo federal e organizações não-governamentais. Detalhes sobre esse tipo de procedimento estão na página sobre prevenção e legislação.

Mais poluente que uma cidade grande

Outro impacto extremamente negativo da queimada é a poluição atmosférica que ela provoca. Os cientistas apontam as queimadas como as responsáveis por cerca de 70% das emissões de gás carbônico do Brasil.

Além disso, os postos de saúde e hospitais acabam recebendo muito mais pacientes com problemas como asma, bronquite e hipertensão no período das queimadas. Uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP) na região de Araraquara mostra que, durante as queimas da cana-de-açúcar, os números de internações por hipertensão passam de 1,92 por dia (média) para 2,82 internações por dia. Os casos de asma crescem de 0,95 para 1,43. Na Amazônia, no auge da estação do fogo, são detectados picos de 30 mil partículas por centímetro cúbico de ar, uma taxa cerca de 100 vezes maior do que a verificada na poluída cidade de São Paulo em pleno inverno, quando acontece, por exemplo, o fenômeno da inversão térmica. Pesquisas feitas na região Norte mostram ainda que as nuvens de fumaça provocadas pelas queimadas chegam a bloquear cerca de 20% da luz solar, diminuindo as chuvas e, ao mesmo tempo, resfriando o clima. É comum em época de queimadas que aeroportos das cidades onde elas acontecem fiquem fechados para pouso e decolagem por causa da falta de visibilidade que a fumaça provoca.
LBA

Alguns dos dados discutidos aqui sobre os efeitos das queimadas na Amazônia vêm de uma das maiores pesquisas científicas feita hoje no mundo. É o Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia, o LBA, ou em inglês, Large Scale Biosphere-Atmosphere Experiment in Amazônia. Iniciado em 1998, o projeto soma mais de 130 propostas diferentes de pesquisa abrangendo física do clima, armazenamento e trocas de carbono, biogeoquímica, química da atmosfera, hidrologia e mudanças do uso da terra e cobertura vegetal. As pesquisas envolvem em torno de 1700 pesquisadores de 280 instituições nacionais e internacionais.

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