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Folha artificial gera energia por fotossíntese



Da teoria para a prática. A busca pela fotossíntese artificial acaba de dar mais um importante passo. A novidade foi apresentada neste domingo (27/3) em Anaheim, nos Estados Unidos, por um grupo de cientistas que desenvolveu uma folha artificial capaz de produzir energia elétrica.

Na 241ª reunião nacional da American Chemical Society, o grupo liderado por Daniel Nocera, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), descreveu uma célula solar do tamanho de um baralho de cartas capaz de imitar a fotossíntese, processo por meio do qual as plantas convertem luz e água em energia.

Em busca da energia barata

A fotossíntese artificial é investigada em centros de pesquisa de diversos países. Foi um dos principais assuntos debatidos no Workshop Bioen/PPP Ethanol on Sugarcane Photosynthesis, realizado pelo Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia em 2009.

“Uma folha artificial funcional tem sido uma espécie de cálice sagrado da ciência há decadas e acreditamos que tenhamos conseguido desenvolvê-la. Nossa folha se mostrou promissora como uma fonte de energia de baixo custo para residências pobres em países em desenvolvimento, por exemplo. Nosso objetivo é fazer com que cada casa tenha sua própria geração de eletricidade”, disse Nocera.

Fonte: Revista Exame

CONSORCIAÇÃO DE CULTURAS

           Numa floresta todos os organismos vivos (plantas e animais) estão em equilíbrio, por isso convivem sem problemas. Na produção orgânica procura-se, dentro do possível, imitar o que ocorre numa floresta. Essa diversificação de espécies é o principal pilar da agricultura orgânica a contribuir para a manutenção do equilíbrio do sistema e, consequentemente, do solo e das culturas. Portanto, o equilíbrio biológico e ambiental, bem como a fertilidade do solo, não podem ser mantidos com o cultivo de apenas uma espécie de planta (monocultura). Devido às grandes guerras, a procura por cereais fez surgir a agricultura dirigida, prevalecendo a monocultura; o uso intensivo, inadequado e exagerado da mecanização, dos agrotóxicos, dos corretivos e dos adubos químicos, associados ao monocultivo e a erosão do solo, conduz a maioria dos solos cultivados no sistema de produção convencional a um processo de auto-degradação, aumentando doenças, pragas e plantas espontâneas e, o que é pior, à contaminação das pessoas e do meio ambiente.  A consorciação de culturas é muito recomendada no cultivo orgânico pois, reduz e, até pode eliminar os problemas citados.
Berinjela plantado em consorcio com manjericão

O que é consorciação de culturas? é o aproveitamento do mesmo terreno, por duas ou mais culturas diferentes, na mesma época. Muitas espécies podem ser associadas entre si pois, se favorecem mutuamente. Para aproveitar ao máximo o terreno, recomenda-se, especialmente, nos primeiros anos de implantação de um pomar a consorciação com outras culturas. Além disso, evita-se a erosão do solo e a disseminação de plantas espontâneas e, o mais importante, quando utiliza-se adubos verdes, obtém-se também a melhoria da fertilidade do solo.
Rucula + cebolinha, alface + coentro
salsinha + cenoura, berinjela + manjericão



O consórcio que pode ser feito na linha, nas entrelinhas e em faixas, garante renda extra ao agricultor e ainda proporciona menor impacto ambiental em relação à monocultura. Mas as vantagens da diversificação de culturas não param por aí!  Todas as pragas das culturas têm seus inimigos naturais que as devoram ou destroem. Daí a importância de diversificar os cultivos (rotação, sucessão e consorciação de culturas) e preservar refúgios naturais (matas, cercas vivas e capoeiras) para manter a diversidade natural da fauna (ácaros predadores, aranhas, insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos). Todos fazem parte do grande conjunto natural e cada um contribui para manutenção do equilíbrio na natureza.  Para sucesso dessa prática, deve-se empregar culturas com ciclo e estatura diferentes, espécies com desenvolvimento lento e espaçamento maior associadas com outras de desenvolvimento rápido e de pequeno porte, espécies de raízes profundas com outras de raízes superficiais, espécies com folhagens ralas com aquelas mais volumosas, espécies que exalam odores e afugentam insetos e, em alguns casos, uma servindo de tutor para outra cultura. A seguir, estão relacionados alguns exemplos de hortaliças que podem ser consorciadas com outras hortaliças e até com plantas de cobertura (adubos verdes), sem prejuízos para as plantas.                            
Consórcio entre hortaliças - alguns exemplos de consórcios bem sucedidos entre hortaliças: cenoura x alface (mudas) ou rabanete; alho x alface (mudas) ou rabanete; salsa x alface ou rabanete; alho x beterraba (mudas); beterraba x rabanete ou alface (mudas); repolho, brócolis ou couve-flor x  beterraba ou alface (Figura 1) ou beterraba; aipim x feijão-de-vagem rasteiro ou batata (fileiras duplas) ou milho-verde; milho-verde x feijão rasteiro ou batata (fileiras duplas); milho-verde x pepino para conserva; milho-verde x feijão-de-vagem trepador. Na semeadura de pepino e feijão trepador, aproveita-se, após a colheita do milho-verde, as plantas de milho como tutor, amarrando-se duas a duas na ponta, formando um “V” invertido.
• Consórcio de hortaliças com plantas de cobertura (adubos verdes/plantas espontâneas)
- Milho-verde x adubos verdes de verão - mucuna (Figura 2). A mucuna é semeada na mesma época do milho, preferencialmente no mês de dezembro; semeia-se o milho no espaçamento de 1,0 m x 0,20m e a mucuna entre as plantas, na linha do milho. Este consórcio é muito interessante, pois além do produtor ter uma renda com o milho-verde, ainda melhora a fertilidade do solo, protege o solo da erosão, especialmente no verão quando ocorre as chuvas torrenciais, reduz a infestação de plantas espontâneas e doenças e, ainda, recicla os nutrientes que estão na camadas mais profundas do solo, trazendo-os para a superfície, devido ao vigoroso e profundo sistema radicular da mucuna (leguminosa).  Quando não for possível o consórcio com adubos verdes, pode-se aproveitar as plantas espontâneas, nas entrelinhas das hortaliças onde são empregados espaçamentos maiores; mantém-se as linhas de plantio (em torno de 20cm) das hortaliças capinadas e deixa-se as plantas espontâneas nas entrelinhas,  roçando-as quando necessário.
couve + rabanete, com cobertura vegetal

- Hortaliças com adubos verdes de inverno (aveia preta - 60 kg/ha + ervilhaca – 18 kg/ha + nabo forrageiro – 4 kg/ha). Os adubos verdes são semeados no outono. Por ocasião do plantio (agosto/setembro) das hortaliças de espaçamentos mais largos como o tomate, repolho, couve-flor, couve e brócolis, é feito a roçada na linha de plantio (em torno de 20cm) e a abertura do sulco, mantendo-se os adubos verdes nas entrelinhas, roçando-as quando competirem por luz com os cultivos. A aveia preta é o adubo verde de inverno mais conhecido, rústica, boa cobertura, inibe as plantas espontâneas (inços) e ainda é ótima para alimentação animal. É ótima para efetuar rotação de culturas, pois é resistente às doenças. A ervilhaca possui boa produção de massa, boa no uso consorciado com aveia e, é fixadora de nitrogênio do ar. O nabo forrageiro é uma espécie que descompacta o solo, devido ao sistema radicular profundo, além de servir de abrigo para inimigos naturais de diversos insetos-pragas que atacam as hortaliças.
• Consórcio de hortaliças com plantas medicinais, aromáticas e condimentares O coentro, consorciado com o tomateiro, reduz os danos da traça  do tomate e, ainda atrai os inimigos naturais de pragas de várias culturas. A sálvia e o alecrim consorciados com as brássicas (repolho, couve-flor, couve e brócolis) repele a borboleta que põe os ovos nas folhas dando origem as lagartas que danificam as folhas. A arruda e hortelã consorciada com hortaliças repelem a mosca-branca que ataca diversas hortaliças. A manjerona e capim cidreira repelem os insetos em geral. O poejo e a hortelã repelem as formigas. A hortelã repele ratos, enquanto que o poejo, arruda, alecrim e sálvia também repelem traça e outros roedores.

Adubação Verde e Cobertura Vegetal do Solo


 

  Práticas agrícolas tradicionais como a monocultura, a médio prazo, causam inúmeros problemas para os ambientes de produção agrícolas. Como a degradação do solo, redução da produtividade além de desenvolver condições favoráveis para o aparecimento e desenvolvimento de doenças, pragas e ervas daninhas. No caso de doenças, patógenos sobrevivem no solo ou restos de culturas e aumentam de uma safra para outra acarretando sérias perdas em produtividade. Esta prática favorece a propagação de determinadas ervas daninhas, além da proliferação de pragas com conseqüente redução na produtividade, e na qualidade do produto colhido. Também é previsível um aumento nos custos de produção, devido ao maior uso de defensivos agrícolas.
  É importante mudar de uma agricultura extrativista para uma agricultura sustentável e para isto será necessário a introdução de outras espécies vegetais. Com uma diversidade de espécies apropriadas de adubação verde e coberturas vegetais, após as principais culturas de verão como a da soja e milho, planejadas a permitir uma eficiente rotação de culturas, teremos uma solução viável para o problema.

Vantagens da Adubação Verde e Cobertura Vegetal do Solo
  A adição de nitrogênio do ar para o solo através da simbiose com bactérias fixadoras, localizados nos nódulos das raízes das plantas leguminosas através da incorporação dos tecidos verdes da parte aérea das plantas. Algumas espécies como, por exemplo a ervilhaca (Vicia sativa L.), chegam a fornecer 90 kg de nitrogênio por hectare ao solo durante um único ciclo. Mesmo espécies que não fixam nitrogênio como o nabo forrageiro (Raphanus sativus L.) podem reciclá-lo de camadas mais profundas do solo que, quando decompostas, irão devolver esse nutriente à superfície, além de ajudar na decomposição do solo.
  Promove a cobertura vegetal do solo, diminuindo o efeito da radiação solar, reduzindo a temperatura do solo.
  A cobertura vegetal do solo reduz a erosão, protegendo o solo contra o impacto das chuvas, aumentando a infiltração e diminuindo a enxurrada. Auxilia no controle de ervas daninhas diminuindo a necessidade do uso de herbicidas, aumenta os teores de matéria orgânica contribuindo para a melhoria das características físicas e químicas e auxilia no controle de pragas pelo uso de plantas não hospedeiras e de doenças através da quebra de ciclo dos patógenos.
  Descompactação do solo através do aprofundamento das raízes de certas forrageiras como o guandu e nabo, melhorando a porosidade e a atividade microbiana.
  Melhora o equilíbrio dos microorganismo, alterando a flora e a fauna.
  Contribui na retenção da umidade no solo, diminuindo o efeito das estiagens prolongadas.
  Conseqüentemente, todos esses fatores combinados irão proporcionar um aumento significativo de produtividade na cultura comercial a ser implantada.
  Manejo dos Adubos Verdes e Coberturas.
A) Em áreas de cereais que produzem uma safra por ano:

  Plantar as forrageiras de cobertura imediatamente após a colheita da safra de verão, aproveitando as últimas chuvas de março / abril ou assim que a umidade do solo permitir.
  Para adubação verde no sistema de plantio convencional fazer a incorporação da massa verde. No sistema de plantio direto cortar ou deitar a massa com rolo faca, rolo comum ou grade e depois dessecar a rebrota para formação de palhada para o plantio direto.
  Para pastoreio e palhada no sistema de plantio convencional no final do pastoreio fazer a incorporação dos restos da cobertura. No sistema de plantio direto, após o pastoreio, vedar a cobertura por mais ou menos 20 dias e depois dessecar para a formação de palhada para o plantio direto na palha.
B) Em áreas de cereais que produzem duas safras por ano

  Escolher a forrageira de cobertura ideal e semear 40 dias após o plantio da safrinha ou imediatamente após a colheita da safrinha ou nas primeiras chuvas de verão. Quando for curto o prazo de formação das coberturas, dar preferência para as mais precoces.
  As áreas de sequeiro que produzem duas safras satisfatórias de cereais por ano são adotadas no sistema de plantio direto na palha, por isso, após a safrinha devemos cultivar as coberturas para dessecar e posterior formação de palhada para o plantio direto de verão. Não atrasar o plantio de verão para não atrasar também o plantio da safrinha.
  Em toda área que é feito o plantio de cobertura, além de proteger o solo da radiação solar, aumentamos sua resistência contra a seca nos períodos longos de estiagem.
C) Em áreas de citrus e café
  Para melhoria do solo, nas forrageiras de cobertura que rebrotam, roçar a 10 cm, quando tiverem com 1,20 m de altura ou deixar vegetar quando for de ciclo curto e porte baixo. Nos demais casos incorporar a massa verde.
  Para proteção contra o vento, é indicado o plantio de crotalária juncea ou guandu ao redor do pomar.
D) Em áreas de cana de açúcar

Plantar o adubo verde na renovação do canavial no início do verão para não atrasar o plantio da cana. No sistema de plantio convencional fazer a incorporação da massa verde, quando as plantas estiverem toda florida ou no início da formação das vagens. No sistema de plantio direto cortar a massa verde com rolo faca e depois dessecar a rebrota.

Agroecologia preserva mananciais

Os cerca de 400 agricultores da capital paulista terão de adotar práticas conservacionistas

Tânia Rabello, de O Estado de S.Paulo
Uma revolução silenciosa começa a tomar corpo na região de mananciais do município de São Paulo, no extremo da zona sul. Esta revolução passa necessariamente pela agricultura e pode se tornar uma alternativa efetiva para preservar o meio ambiente e a água consumida pelos 19 milhões de habitantes da Grande São Paulo.
 
Filipe Araújo/AE
Filipe Araújo/AE
 
Produtores da capital, como Batista, que quer produzir cachaça orgânica, assinaram o Protocolo
Números surpreendentes se escondem nas fronteiras do município, não só na zona sul, mas também nas zonas norte e leste, onde se abrigam, no total, 402 agricultores cadastrados. A área agricultável da megalópole paulistana representa 15% da superfície do município, de 1,5 milhão de quilômetros quadrados. Em plena capital se produzem hortaliças, plantas ornamentais e grãos. É na área de mananciais, as Represas Billings e Guarapiranga, que está a maioria desses agricultores: 311. O restante mantém lavouras na zona leste, com 50 agricultores, e zona norte, com 41.
O "nome" da revolução é agroecologia. E o sobrenome é "Protocolo de Boas Práticas Agroambientais". Até agora poucos, porém empolgados, 34 produtores da região de mananciais assinaram o protocolo, proposto em setembro de 2010 pelo governo estadual e pela prefeitura. Eles devem servir de exemplo para alguns ressabiados agricultores da região, que aguardam por resultados positivos antes de aderir.
Conservacionismo. A assinatura significa que esses agricultores se comprometem a adotar práticas agrícolas sustentáveis, entre elas abolir o uso de agrotóxicos e adubos químicos e preservar mata nativa, nascentes, prevenir erosão e manter o solo permeável, desistindo, por exemplo, do uso da plasticultura (estufas). A região é pródiga em hidroponia, técnica de cultivo que utiliza adubo químico solúvel em água e o plástico nas estufas. O prazo estipulado pelo protocolo para a conversão para a agroecologia é 2014.
"A ideia é transformar essas áreas, a médio prazo, em polos produtores de agricultura orgânica, além de garantir meios justos de comercialização e escoamento da produção", ressalta a diretora do Departamento de Agricultura e Abastecimento da Secretaria de Abastecimento do Município de São Paulo, Nadiella Monteiro.
"Fixando-se na atividade, além de garantir uma forma ambiental e economicamente sustentável de vida, o agricultor não fica forçado a vender a terra, eliminando o risco de ela se transformar em loteamentos clandestinos, uma das principais ameaças à qualidade das águas que abastecem a capital", explica Nadiella.
Em troca à adesão ao protocolo, o município dá assistência técnica especializada, por intermédio das Casas de Agricultura Ecológica. São três: a Unidade Sul, a Unidade Leste e a Unidade Norte. Na Unidade Sul, a Casa de Agricultura Ecológica José Umberto Macedo Siqueira, em Parelheiros, há dois engenheiros agrônomos, um engenheiro ambiental e uma estagiária de agronomia.
Cachaça orgânica. "Eu nunca havia tido nenhum tipo de assistência por aqui", diz o produtor José Geraldo Batista, de 45 anos e agricultor desde os 7, quando ajudava o pai, em Minas Gerais. Nos 7 hectares que arrenda para plantar cana e uma ornamental chamada "buchinha", conta com a assessoria da Casa de Agricultura e acabou de formatar um projeto de 80 mil litros/ano de cachaça orgânica. "Só falta a Cetesb autorizar", comemora Batista, que, não fosse a assistência dos agrônomos, teria cometido o erro de construir o alambique a menos de 30 metros de um curso d"água. "Tive de parar a construção, após receber orientação."
A cana já viceja no campo e ele espera produzir as primeiras garrafas de cachaça orgânica "made in Guarapiranga" até o fim do ano. Enquanto isso, Batista tem renda vendendo a buchinha a atravessadores. "Leva dois anos para colher e eles me pagam só R$ 2 por unidade. É muito pouco", lamenta ele.
Outra empolgada agricultora é Valéria Maria Macoratti, que cultiva, em sociedade com Daniel Petrino dos Santos, 3 hectares de hortaliças. "Fiz uma aposta com Daniel, de que conseguiríamos produzir sem adubo químico e veneno", conta ela, que há um ano abandonou o cultivo convencional. "A produção vai muito bem." Além da assistência técnica, Valéria conseguiu vaga num curso de agricultura biodinâmica e está aprendendo a fazer bokashi, um adubo à base de farelo de trigo, farinha de osso, torta de mamona, vermiculita e micronutrientes. "Se comprasse pronto, pagaria mais. Vamos fazer no meu sítio e dividir custos e o adubo."
Mauri Joaquim da Silva, do Bairro Lagoa Grande, em Parelheiros, se considera um dos maiores incentivadores para que os produtores assinem o Protocolo. Ele já começou a adotar práticas conservacionistas em sua horta e torce para que os vizinhos, boa parte deles adeptos da hidroponia, se convençam e assinem também.
"Tive vários problemas, sobretudo com atravessadores, e estava falido", conta Silva, que tem 33 anos e retomou o ânimo com a agroecologia, após fazer um curso da ONG Cinco Elementos, que atua na região com recursos do Fundo Estadual de Meio Ambiente. Agora, em 40 mil metros quadrados, só utiliza práticas conservacionistas e estimula os companheiros a formar uma cooperativa. "Ela ajudará na certificação orgânica, mas principalmente na comercialização", acredita.

Brasil cumpre poucas metas de preservação de seus biomas, afirma WWF



De acordo com levantamento realizado pela WWF-Brasil em parceria com o Conselho Nacional Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, o Brasil cumpriu poucas metas estipuladas na Convenção das Nações Unidas (ONU) sobre Conservação da Diversidade Biológica.

Das 51 metas nacionais que deveriam ser atingidas até 2010, apenas duas foram cumpridas completamente, cinco não foram executadas, e o restante encontra-se em estágios intermediários de cumprimento.

Segundo a WWF, o Brasil cumpriu a meta de redução média de 25% no número de focos de calor em cada bioma, e também elaborou lista amplamente acessível das espécies brasileiras formalmente descritas de plantas, animais vertebrados, animais invertebrados e microorganismos.

No entanto, ainda segundo o estudo, o país não cumpriu a meta de recuperar no mínimo 30% dos principais estoques pesqueiros com gestão participativa e controle de capturas. Também não colocou em ação planos de manejo para controlar pelo menos 25 das principais espécies exóticas invasoras que mais ameaçam os ecossistemas.

A meta de implantação de projetos de proteção ao conhecimento de todas as comunidades tradicionais dos biomas também não foi cumprida.

“No campo do conhecimento, de criação de áreas protegidas, de monitoramento, as notícias são boas. Em outros campos, sobre o uso sustentável dos biomas, de se colocar o meio ambiente no centro das decisões políticas, e de se criar uma economia verde, as notícias são ruins”, avaliou o superintendente de conservação do WWF-Brasil, Cláudio Maretti.

Com encerramento dos prazos de 2010 e com as decisões tomadas na conferência de Nagoia (Japão), em outubro do ano passado, ficaram definidas metas ainda mais ambiciosas para o Brasil. O objetivo agora é aumentar para 17% as áreas protegidas até 2020, praticamente o dobro do que o bioma abriga hoje.

Fonte: WWF Brasil

TRANSGÊNICOS - PARECER ECOLÓGICO


ANDREAS ATTILA DE WOLINSK MIKLÓS*


 
1. ALIMENTOS TRANSGÊNICOS, NUTRIÇÃO E SUBDESENVOLVIMENTO HUMANO

Os Reinos Mineral, Vegetal, Animal e Humano


O mundo do vivo representa uma miríade de formas e ritmos decorrentes de complexa interrelação entre forças supra-sensíveis de origem cósmica e telúrica e matéria. O efeito da luz do sol ao tocar o mineral traduz-se em cor (efeito). No mundo vegetal, a luz , além de "tocá-lo por fora", como que desaparece em seu interior; o efeito é "geração de vida" ("vida" = primeiro âmbito supra-sensível ). A planta não cresce indefinidamente; cessa seu crescimento enquanto desenvolvimento de forma e flor que manifesta cor e aroma. No animal e no homem; circunscrito por uma pele, vive um metabolismo; na cabeça localizam-se órgãos de sentido, base física viva no estabelecimento de emoções e sentimentos (segundo âmbito supra-sensível). No Ser Humano em vigília, além de um corpo físico vivo, onde se manifestam sentimentos, vive uma individualidade plena de intenções (terceiro âmbito supra-sensível), mais ou menos consciente e livre, dependendo do quão desperto está em relação a si própria e ao mundo exterior que a cerca. Matéria e forma viva no planeta Terra refletem, portanto, íntimas associações de organizações de mundos criativos polares, de um lado, um mundo supra-sensível, cósmico e, de outro, um mundo sensível, material, telúrico.
A domesticação das plantas alimentícias

A domesticação das plantas alimentícias "data de Zaratustra", na antiga Pérsia. De lá, até a domesticação da nossa mandioca pelos indígenas, filhos da terra, passando pela domesticação do milho pelos seus irmãos vizinhos; tudo isso se tratou, na realidade, de uma "co-evolução". Plantas alimentícias e "filhos da terra" co-evoluiram, sem manipulação vegetal de "dentro para fora". E, nesta domesticação se inseriu, muito provavelmente, uma "intencionalidade" humana configurada a partir de uma consciência particular dos povos envolvidos (nossos ancestrais), de uma lado, os indígenas e de outro, aqueles das antigas culturas civilizatórias, onde nos pensamentos se associavam uma vida intuitiva pertencente a um mundo espiritual, de fatos, forças e seres espirituais. Tais seres humanos, privados de liberdade, se orientavam conforme se ditavam as regras a partir de um mundo espiritual. É evidente, portanto, que, se aceitarmos a realidade gnosiológica da época, e não os considerarmos a partir da nossa consciência racional atual - objetiva e espectadora e dissociada de uma realidade essencial, como preconiza Kant - em um tal processo de concepção de gênero alimentício, pode-se atribuir junto ao processo de concepção do "vir a ser vegetal" a confluência de forças arquetípicas de um mundo supra-sensível, cósmico e espiritual em íntima associação com matéria e forças arquetípicas telúricas (terrestre). Agora, enquanto cientistas, que buscam verdade no mundo, falta-nos ainda demonstrar se tal "intencionalidade" ou "sentimento anímico" provoca alguma influência junto à concepção de determinada forma e conteúdo de gênero alimentício. Principalmente, se se direciona tal intencionalidade à nutrição e desenvolvimento humanos. O trigo foi domesticado na antiga Pérsia sob o símbolo "no Sol vive o Grande Espírito Ahura Mazdao, que deverá descer à Terra" e no culto cristão se transubstancia o pão em carne e o vinho em sangue. "Mesmo que, ainda, em tempo, não nos auto-superamos o necessário, rumo à fraternidade entre os corpos; quesito este evolutivo e de desenvolvimento humano".
Manipulação transgênica e processo criativo humano

Na manipulação transgênica da planta mexe-se nos genes. Assim, de "dentro para fora " determina-se seu vir a "Ser Vegetal". Ao se mexer dentro da planta, a partir da manipulação transgênica, com o objetivo de determinar seu "vir a ser"; as ações aí inseridas, se revestem de intenções e impulsos humanos. Ações humanas se processam a partir da volição ou da força de vontade do homem (pólo membro-metabólico); estabelece-se, uma ponte entre a vontade, o pensar e o agir. Criações humanas resultam de tais processos.
Nutrição humana, modo de concepção e qualidade de gênero alimentício

A nutrição humana num sentido mais amplo envolve não apenas a digestão física do alimento. Ela inclui também a respiração, os sentidos e, mais importante ainda, no caso em questão, a "digestão" daquilo que não é sensorialmente percebido no alimento, e que é do âmbito do vivo; "a vida no alimento". Quando o alimento apodrece sua vida se esvai, permanece somente o mineral morto ou a matéria sem vida, sobra apenas o esqueleto, que se desmantela. Numa agricultura sadia a qualidade desse elemento vivo presente no alimento deve receber o conceito de "vitalidade". Tal vitalidade depende sobretudo do modo de concepção do gênero alimentício, ou seja, de como ele foi cultivado (modus operandi; sistema agrícola). Pode-se facilmente vivenciar tal conceito ao se comparar alfaces cultivadas sob o método biodinâmico (selo Demeter) com o método hidropônico ou da agricultura convencional de insumos sintéticos e tóxicos à vida e verificar sob que método, a vida se esvai mais rapidamente após a colheita, ou seja, qual alface apodrece primeiro. Na alimentação humana "vida reproduz vida". A partir do vegetal, capta-se vida de primeira geração; gerada diretamente a partir da luz do sol. Ao comermos carne, alimentamo-nos de vida de segunda geração.
Nutrição, percepção humana e desenvolvimento de autonomia

O alimento físico ingerido é então processado na digestão; desmontam-se estruturas concebidas previamente por uma natureza criadora de formas do vivo. O organismo humano não desmonta o alimento (estrutura) tão somente para poder absorvê-lo, mas também e, sobretudo, para apreender a sua reconstrução agora sob um novo desígnio; o da tessitura de tecidos e órgãos em íntima adaptação ao que deve vir a ser próprio da sua individualidade ou do desenvolvimento de sua autonomia. Sob um tal princípio de reconstrução de tecidos humanos é que se constituem os tecidos e órgãos responsáveis nos seres humanos por tudo que envolve a percepção humana; ou seja, por tudo que envolve a percepção de si próprio ou do mundo em derredor. Pois, é assim que se constituem os tecidos e órgãos do homem neuro-sensorial: cérebro e sistema nervoso. O quanto o modo de concepção do gênero alimentício influenciará a nutrição humana e, subseqüentemente, o despertar do ser humano ou a sua capacidade de perceber o que vive de vivo na natureza e em si próprio, no ser humano.
Nutrição e intencionalidade humana

Ao se ingerir um vegetal, ingere-se ao mesmo tempo, além do esqueleto carbônico, a "vida" associada. Essa não tem como ser desmontada em moléculas menores; é "pura força da luz do sol transformada"; é pura "informação codificada". Código que informa sobre processos criativos; para que "o que vive, viva em tudo o que vive, o que atua, atue em tudo enquanto atua, e o que leva tudo o que vive para morte, renasça de novo". O que ocorre no ser humano a partir da "digestão" desse elemento "do âmbito do vivo" considerando, evidentemente, todo seu processo biográfico? O quanto tal "código informativo" de processo criativo absorvido de um mundo natural criador de vida inserido no alimento vegetal se liberará no metabólico humano (pólo da vontade) enquanto arquétipo de co-criação, que estabelecendo uma ponte com o mundo dos pensamentos resultarão em ações frutíferas humanas no mundo concreto; todo este destino, Sr. Presidente da República, o senhor tem em suas mãos. O quanto o modo de concepção do gênero alimentício influenciará, a partir da nutrição, os impulsos humanos à montante de suas criações; todo este destino.
Num balanço preliminar de tais criações humanas, o mundo atual em avançado processo de degradação natural e social, já dá testemunho de um dominante processo global centrado em impulsos de auto-interesse; e que parecem, ilusoriamente, intransponíveis.
Transgenia, auto-interesse e processo morte

Num cultivo transgênico, concebe-se um gênero alimentício, enquanto forma e conteúdo, fortemente dissonante em relação aos processos criativos da natureza e do cosmos. Na natureza, esse "ser vegetal" manipulado geneticamente passa, então, de fato, a ser fortemente atacado por pragas, doenças e inços, de tal maneira, que é preciso impedir tais ataques com biocidas de alta toxicidade à vida. O que evidencia, portanto, o quanto tal "ser vegetal" manipulado pela intencionalidade racional humana objetiva que aí se associa se distancia de um real processo de geração de qualidade e intensidade de vida na natureza.
Além da fundamental pobreza em possibilidades de desenvolvimento de vida da planta transgênica, o quanto esse vir a ser "vegetal - alimento" configurado de arquétipos de co-criação provenientes dos impulsos humanos ali inseridos se distribuirá aos povos; todo este destino, que impulsos são esses?
Auto-interesse e erosão social e da natureza

Esses impulsos são aqueles que perpassam seres humanos, com destacado poder decisório e de criação, e que estão no comando das empresas envolvidas. Instituições transcontinentais que, na realidade, ao exercerem forte doutrinação nos mais variados âmbitos, dentre outras coisas, fomentam uma agricultura de alto impacto biocida. Em tais impulsos não se pode constatar uma gota sequer de altruísmo, muito menos de solidariedade.... Muito pelo contrário, tais ações são focadas, sobretudo, a partir do auto-interesse: fusões, concentração de capital, patentes de "know how", patentes de organsimos vivos, exercício de poder de dominação.... Impulsos, aliás, extremamente difundidos no mundo atual globalizado, que norteam as atividades humanas no planeta e que originam, em última instância, o crescente quadro aberrante de erosões do tecido social - exclusão do homem - e da natureza (erosão do solo; poluição da água; eliminação de biodiversidade; camada de ozônio e efeito estufa). Impulsos esses, de gnosiologia correspondente, que geram a jusante um "processo global moribundo".
Considerações finais

Tais são, portanto os impactos da alimentação transgênica, que o senhor e eu e, tampouco nossos netos, se farão sentir. O que aqui se descreve passa-se por despercebido; tamanha será as gerações necessárias para a acentuação da encarnação do processo. E, muito provavelmente, processo esse, talvez, inevitável, tamanha é as forças envolvidas no bojo do processo de evolução do ser humano. Processo que se desenvolve silenciosamente, aquém da escala de observação da ainda tão medíocre e míope ciência analítica. Bilhões de pessoas distanciar-se-ão cada vez mais do desenvolvimento sediado no princípio universal. Aquele que desafia o homem a superar-se a si próprio a partir de um processo de auto-conhecimento e auto-desenvolvimento. Aquele que desafia o homem a praticar a fraternidade entre os corpos; quesito indissociável do desenvolvimento humano e do futuro dos povos.
Com o modo de concepção de gênero alimentício transgênico, perder-se-á progressivamente a possibilidade natural de entretecimento de uma "corporalidade" cada vez mais adaptada à necessidade evolutiva da essência da individualidade humana; desse ser de dois mundos, sensorial e supra-sensorial. Entretecer-se-á paulatinamente uma "corporalidade" humana cada vez mais "telúrica"; empobrecida em arquétipos cósmico-espirituais.
Assim o deseja a parcela humana que o doutrina e a outra, inconsciente, adormecida, assim se aprisiona. Transgenia e clonagem humana, o par perfeito, tornarão verdade a inverdade do homem de alma perene prisioneira ao corpo: o homem-matéria.

*Andreas Attila de Wolinsk Miklós, 42, Doutor pela Universidade Paris VI, é Professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" e do Programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental, da Univeersidade de São Paulo. Obs: Carta aberta ao sr. Presidente da República.